Tuesday, July 31, 2012

Perdido pela Finlândia..

   Depois de todas as competicões é altura de umas férias merecidas e este ano decidi experimentar algo diferente e vim 3 semanas, com o Filipe e o Miguel, para a Finlândia para passarmos umas boas férias em grupo mas sobretudo para experimentarmos estes mapas sempre ditos tão difíceis. Os primeiros dias serviram um bocado como adaptacão mas agora tornou-se mais fácil navegar por aqui e já fiz alguns bons treinos...só que a questão é que estou de férias e sinceramente o que me interessa é aprender e não competir.
   Para além dos excelentes mapas que aqui encontramos, a região é igualmente bela e agradável de se estar com muitos e muitos lagos onde podemos passar grande parte do tempo e ainda florestas espetaculares onde dá realmente gosto correr e passear. Ainda tenho duas semanas por aqui, mas vai ser com muita pena que deixo esta região belissima.
    No fim desta semana seguimos para o norte, não sei bem o que esperar em termos de mapa mas sei que vamos entrar em contacto com uma região mais selvagem e natural por isso acho que vai ser ainda melhor. Destaque para o treino extreme de hoje, num mapa onde só havia pântanos e afloramentos. Consegui sair vivo de lá, not bad...venha a próxima!




Boas férias e aproveitem-nas que eu faco o mesmo!



Orientistas,
LS

Saturday, July 14, 2012

It's over.

   Este Jwoc sucedeu a um fraco Eyoc e se já estive mal num também nunca poderia estar bem agora. Não tenho grandes palavras para descrever tudo o que vi ou aprendi nesta semana (para além do que já tinha visto no Eyoc), a não ser trabalho. O campeão do mundo não é escolhido ao acaso e só os melhores atletas do mundo vão lá e cumprem, é preciso uma preparação brutal a juntar ao talento e são tantos a lutar pelo mesmo (180) que a competição é algo fenomenal.
    Nunca estive brilhante neste Jwoc, pensei que no sprint podia fazer alguma coisa mas fisicamente acabei por falhar, na longa desisti por fatiga acumulada e só na distância média me levantei e ganhei a qualificatória. Na final fiz uma das minhas melhores provas, o mapa e o percurso eram terríveis mas consegui aguentar a pressão e ainda apanhei o campeão do mundo de distância longa pelo caminho...tive pena de no final (quando seguia em 16º no ponto 12)  ter perdido as pernas outra vez. Quanto à estafeta, por respeito a mim e aos meus colegas não vou proferir palavra.
   Resultado? Trabalho, mais trabalho e ainda mais trabalho é o que falta. Com uma boa preparação e cabeça sou capaz de conseguir alguns resultados, em todas as provas senti que conseguia só que senti a falta das minha perninhas...é algo que para o ano vou tentar colmatar e por agora vou de férias e não volto a escrever mais aqui até me sentir completamente em mim. Foram tempos de guerra dura e crua, cuja perdi airosamente, e só preciso de regressar ao "quartel" e organizar as minhas ideias, boas férias a todos e até à próxima época.


Orientistas,
LS

Wednesday, July 4, 2012

Eyoc - O fim de uma etapa

   Ao longo destes dias que passaram e voltei a casa pensei mesmo muito no significado que esta desilusão e esta falha tiveram em mim. Foi o meu último Eyoc, o que significa que agora começa verdadeiramente a doer porque o Jwoc é uma competição muito mais dura e renhida, no entanto ao longo da minha curta carreira desportiva tornar-me um dos melhores atletas da minha idade foi o meu grande objectivo e isso significaria obter bons resultados no Eyoc. Todas as edições em que participei me ensinaram alguma coisa, em 2009 apercebi-me que era possível marcar a diferença e alcançar bons resultados (mesmo sendo português) numa competição deste tipo, em 2010 aprendi o poder do espírito e da vontade num objectivo, em 2011 ensinou-me a moderação e os benefícios do trabalho direccionado, e este ano? Bem...ainda não descobri ao certo, mas acho que obtive a minha confirmação para continuar a trabalhar, não trouxe nenhuma medalha como gostaria nem tive nenhuma prestação brilhante mas ao contrário dos outros anos pela primeira vez senti que se tudo tivesse corrido bem era possível estar entre os melhores.
    Ainda me recuso a aceitar o que aconteceu e estar bem de espírito, eu sei que nem sempre pode haver dias bons, mas eu tinha a obrigação de num dia mau estar entre os 10 primeiros e se não estive foi porque algo de errado eu fiz e quero mesmo mudar isso. Ainda não acabei o que tenho a fazer esta época, o Jwoc ainda está para vir e apesar de tudo vou dar o meu melhor porque eu estou preparado para fazer alguma coisa e pelo menos essa "alguma coisa" quero fazer.
     Para o ano sei que vou mudar, e sinceramente começo a achar que foi bom ter errado para perceber que há sempre algo a melhorar e espero que possa errar muitas mais vezes desde que continue a aprender com isso, se ainda me arrependo de ter dito que este ano seria campeão da Europa? Claro que não, eu bem o podia ter sido tal como outros 20 atletas como eu...para o ano já ambiciono outras medalhas e não tenho qualquer problemas em admitir. Sei que percorrer o caminho vai ser complicado, mas alguma vez as coisas tiveram o mesmo sabor sem esforço?




Orientistas,
LS

Eyoc - Estafeta

    Chegava assim o último dia deste Europeu e o dia em que ia tentar salvar, com os meus colegas, a honra da casa e obter um bom resultado na estafeta. Já estava completamente em baixo após uma distância longa e um sprint maus, mas ainda tínhamos hipóteses de fazer alguma coisa como equipa..apesar da ordem inicial que se havia pensado determinasse que eu ia em último, acabou por me ser dada a oportunidade de partir em primeiro, algo que nunca havia feito antes, e ver até onde podia ir para conseguir dar o testemunho na frente, vou descrever passo a passo a experiência que isto foi porque é sem dúvida algo que quero voltar a repetir no futuro!:
     Antes da partida estava algo nervoso, porque nunca havia partido numa mass start tão grande como esta e não sabia o que havia de esperar...no entanto esperei e quando foi dada a partida só tive tempo de pegar o mapa, localizar o triângulo e tentar acompanhar o forte ritmo que foi imposto naquele inicio. Pior ainda era o facto de até entrarmos na floresta termos tido de percorrer uns 500 metros em caminho, por isso fui-me chegando à frente do grupo e tomei a liderança do grupo perseguidor, visto que o atleta austríaco se lançou num ritmo desenfreado mas quando chegámos à floresta as coisas acalmaram um bocado... correr ali fez-me lembrar correr nos terrenos do mundial de seniores do ano anterior, também em França, visto que era muito irregular e eu estava com algumas dificuldades de correr ainda por cima a subir, consegui acertar bem o meu ponto mas ataquei por uma zona de muito difícil de progressão o que me fez ficar um pouco para trás, quando tomei o caminho para o segundo controlo já estava um pouco para trás, mas a questão é que a estafeta ainda agora havia começado...
     3,4,5 vieram e fui recuperando terreno ao pelotão, alguns atletas foram errando e eu ia aproveitando esse facto para ganhar posições, confesso que o facto de haverem tantas combinatórias e os pontos serem a meia encosta dificultou um bocado  ser 100% certo. No 6º ponto tudo mudou, o grupo partiu e eu era o último elemento do pelotão da frente, dava tudo para me ir chegando e estava a resultar porque ir na frente acarreta erros e eu de trás podia sempre corrigir esses erros..apesar de cansado e desanimado começava a entusiasmar e mesmo sendo complicado correr e aguentar o pelotão eu já começava a dar sinais de acordar e no 9º controlo já eu estava inserido no grupo. Mas o erro era inevitável e acabou mesmo por vir, no 11º ponto em que visitei 2 pontos errados menos o meu...fiquei sozinho com o atleta belga (campeão do sprint) e o atleta sueco e daí para a frente foi fazer tudo para alcançar os atletas da frente. O ritmo era algo assombroso e eu só dizia ao belga para correr mais e mais e então quando chegámos ao caminho de novo íamos apanhando aos poucos os líderes, passei nos espectadores em 5º a uns míseros 25 segundos da frente e conseguia vê-los, puxei o ritmo e no ponto a seguir aos espectadores já tínhamos alcançado a frente.
     Entrava agora na parte final, e controlei o 15º ponto com muita segurança tomando a liderança da corrida com o atleta checo e o sueco, no ponto a seguir nova combinatória e eu segui com o checo para o meu ponto. Avistei-o ao longe, confirmei o código mas detive-me quando vi 63 na sinalética e o código era o 60 no ponto, andei na zona uns 4 minutos e entretanto chegaram os restantes atletas acabei por ver o ponto que pensava ser meu e piquei-o, segui para o 17 onde estavam lá muitos atletas a perder tempo e quando eu consegui encontrar o meu e seguir em 2º já ia com a cabeça perdida, e no 18 e 19 perdi no total á volta de uns 7 minutos.
       Não vale a pena, nem quero contar como me senti quando cheguei a fim pior que estragado pela prova que fiz, e então quando vi o mp não queria acreditar porque era a 2ª vez que tinha desclassificado a minha equipa no Eyoc e lançado por terra todas as esperanças que tínhamos de obter um grande resultado (porque sim era possível!).
   


Orientistas,
LS
     

Tuesday, July 3, 2012

Eyoc - Distância longa

    O dia de ontem havia sido mau, mas procurava hoje levantar a minha cabeça e lutar pela medalha que ontem me havia fugido por um erro tão estúpido, e estava confiante mais que ontem mas a sombra da desilusão ainda pairava em mim e pior que tudo estava cansado de ter dormido mal e ainda por cima ter tido de me levantar cedo para ir para a quarentena, não me importei e procurei descansar pois só partiria às 11:52 e embora não fosse o último atleta a sair mais uma vez partia no fim. Quando chegou a minha hora fui aquecer, mais uma vez um aquecimento simples e aí fui eu para a partida, tentei manter-me calmo mas hoje era mais complicado e estava algo nervoso quando peguei no mapa e saí, para chegar ao triângulo tive de percorrer ainda um longo caminho e quase que falhava o 1º ponto, no entanto até o fiz com relativa segurança e segui para o 2º com um bom ritmo apesar de começar a entrar em áreas cada vez mais fechadas e complicadas de progredir, consegui não falhar o que foi um bom sinal e no 3º também fiz com confiança achei que era hora de ligar os motores e no 4º ponto (pernada mais longa) tentei escolher a minha opção e efectuá-la com confiança no entanto algo começava a falhar e estava a ficar cansado, muito mesmo e fiz o resto da prova a arrastar-me, não errei propriamente muito e no ponto 7,8 e 9 fiz sempre com confiança embora o meu ritmo fosse mesmo muito fraco, não sei o que se passou com o meu corpo e ainda agora tenho dificuldades em explicar o porquê de aquilo ter acontecido e ter perdido tantos minutos fisicamente, foi simplesmente um dia mau. Quando passei nos espectadores tinha caimbras e mal conseguia correr...no entanto foi um dia extremamente competitivo e se não tivesse cometido um erro já perto do final teria entrado facilmente no top 15, porque os atletas ficaram separados por muito pouco.
      Quando cheguei ao fim só me apetecia chorar e enterrar-me, sabia que no fundo a culpa era minha e se não estive bem foi porque nunca tinha aprendido a ser um orientista nem a treinar como tal e agora estava a pagar. O resultado foi mesmo muito mau e quando dei por mim havia falhado as duas provas individuais dos Europeus, agora era a estafeta e sinceramente já não tinha vontade de correr mais, mas era importante que ainda fosse de cabeça erguida principalmente quando tínhamos uma boa equipa e até tínhamos boas hipóteses de fazer algo de bom.



Orientistas,
LS

Eyoc - sprint

    13:02 era a minha hora de partida, atrás de mim só saiam outros 5 atletas por isso significava uma espera longa na quarentena. Tentei descontrair-me ao máximo e nem foi complicado porque já sabia para aquilo que ia e não tinha de ter receio se procurasse divertir-me em fez de estar com medo, acabei por ir aquecer ao 12:40 e era praticamente o único atleta na quarentena, fiz o aquecimento que faço sempre no entanto sentia-me algo preso também pelo tempo estar um bocado instável mas quando sai na minha hora estava com um sorriso e entusiasmado para o desafio que ia enfrentar em alguns momentos. Fui sempre a rolar devagarinho e quando comecei a ouvir o barulho da arena o bichinho começou a mover-se dentro de mim, ainda tive tempo de trocar de camisola no minuto -2 o que representou um bocado confusão para colocar o dorsal e tudo o resto, no entanto nada que me tivesse assustado e quando entrei na arena, e olhei para todos os meus colegas o barulho era ensurdecedor e estava agora mais que nunca preparado para partir, quando ouvi o bip decrescente pus a mão no mapa esperei, sorri e arranquei e assim dei inicio à minha participação no eyoc, demorei algum tempo a encontrar o triângulo o que me atrasou um bocado no inicio ataquei o primeiro ponto com confiança e rapidamente o controlei (erro fatal) e segui para o segundo, escolhi bem a opção e consegui ser rápido, o 3º era uma opção longa e consegui antecipar logo os pontos seguintes. Quando entrei na cidade, sabia que viria a parte complicada no entanto consegui acertar de um modo geral as opções e sabia que tinha boas hipóteses de um bom resultado, continuei e quando piquei o 11 já só tinha mais uns pontitos para fazer, acabei porque chegar ao antepenúltimo ponto com uma prova quase perfeita e quando ia entrar mesmo na parte final cometi um erro na opção e perdi à volta de 6 segundos, mas quando entrei na arena o speaker já comentava que vinha com tempo para uma medalha o que de facto se confirmou quando fiz o finish, embora estivesse empatado com um polaco.
    Fique algo aliviado como desapontado porque esperava um bocadinho mais, mas quando descarreguei o meu SI o que me saiu é que não esperava mesmo e o mp não estava nas minhas contas...entrei um bocado em desespero porque não pensava que havia hipótese do erro ser meu mas quando soube que tinha picado um ponto a 10 metros do meu foi de facto um estocada dolorosa e uma lição que não vou esquecer tão cedo. Pior ainda fiquei quando soube que tinha ido sempre a lutar pela liderança, porque o sprint havia sido mesmo muito renhido e creio que apenas 15 segundos separava os 10 primeiros, o que me deixou contente por estar num circulo tão pequeno, não quis desanimar e apenas queria olhar para a longa que vinha no dia a seguir e ai procurei focar-me embora já tivesse o pressentimento que fosse em vão também...




Orientistas,
LS

Eyoc - Ínicio

     Arranjar coragem para escrever sobre isto foi complicado e há dois dias que a procurava, é sempre fácil escrever e falar sobre as nossas vitórias, mas falar sobre as nossas derrotas é outra situação no entanto vou descrever cada prova por si e falar de como se desenrolou este eyoc ao longo de todos estes dias, farei este relato em vários posts para que não seja tão extensivo, por isso aqui vai.
     Saímos de Portugal na madrugada de quarta-feira da semana passada, e atravessamos em algumas horas Espanha inteira e ainda quase metade de França. Já tinha feito a viagem uma vez por isso já conhecia mais ou menos os locais por onde passara, no entanto desta vez parámos em S.Sebastian, uma cidade Espanhola no país Basco mais precisamente no norte de Espanha, para almoçar e só depois seguimos viagem. Chegar a Bugeat soou como um verdadeiro dejá vu, porque já tinha feito aquele mesmo caminho uma vez e voltar a ver aquelas paisagens verdejantes foi bom, porque só me trazia boas recordações dos momentos que havia passado ali em Abril embora agora estivesse tudo muito mais verde e o tempo estivesse mais quente. Em Bugeat fomos ao event center da competição, esperando ter o tão desejado jantar após umas longas 16 ou 17 horas de viagem mas rapidamente se traduziu em desilusão quando nos serviram iogurtes, pão e fruta, para além disso ainda tivemos de aguentar a humilhação por parte das outras selecções por Portugal perder em frente à Espanha...mas ainda estava para vir a cereja no topo do bolo e isto era o alojamento que era um bocado como uma casa para refugiados ou algo do género, tudo bem era hora de ir descansar.
      No dia seguinte fomos acordados bem cedo pelo ruído de umas obras mesmo ao lado, e mal pude descansar da viagem, também não consegui comer nada de jeito de manhã e só ao almoço é que pude comer a minha primeira verdadeira refeição em dois dias. Há tarde fomos ao model event, ao mapa de Viam Lestard encostado ao mapa da longa, já lá havia estado antes e confesso que agora o encontrei muito mais verde do que o habitual o que já me fazia antever um bocado a distância longa, no entanto a volta que dei foi grande e alertou-me um  bocado para o que ia apanhar no sábado. Voltámos ao belo do alojamento, era agora véspera do sprint e só me apercebi disso bem tarde, com o peitoral 46 ia começar o meu Eyoc e ainda mal sabia o que me esperava, ou talvez já o previsse...



Orientistas,
LS