Tuesday, August 28, 2012

Sabor de liberdade.

   Por estes dias de Agosto tenho aproveitado a liberdade que ainda me resta até a faculdade chegar. Apesar de no verão haver sempre a tendência da preguiça, tenho procurado conciliar isso com a boa vida e fazer tudo aquilo que gosto, mas livre.
    Depois de voltar da Finlândia tenho continuado a treinar, sem plano especifico, fazendo praia, bicicleta e corrida. Tenho procurado experimentar coisas novas, e libertar a cabeça das pressões competitivas e das rotinas fixas para ficar fresco e encarar com vontade os próximos desafios, é bastante positivo e apesar de não ter parado não estou cansado com esta carga. Quando corro, corro sempre bem bem longo, descansado depois até me voltar a sentir bem, e outros dias intercalo com grandes voltas de bicicleta para não massacrar as pernas.
    Posso estar a treinar um pouco sem rumo, mas estes próximos meses, até Dezembro, serão apenas para fazer um treino mais geral de modo a preparar o corpo, pois decidi por fim começar a época em Janeiro e ter apenas um pico de forma para o Jwoc. Vou fazer algumas corridas de 10 km, corta-matos e as provas de orientação que puder, mas tudo sem grandes objectivos, é preciso descansar a cabeça porque quando 2013 chegar vou olhar apenas numa direcção e aí quero chegar sem percalços ou acidentes.



Orientistas,
LS

Friday, August 24, 2012

Um pequeno (grande) passo.

       Nestes campeonatos que passaram muito foi o que prometi e pouco foi o que cumpri, essa é a verdade dura e crua que reconheço. Não vou entrar com o tempo verbal pretérito imperfeito (podia ter feito) e se estive mal foi por minha culpa. No entanto saber tirar o melhor de cada experiência e excluir o que correu mal faz parte, e vou relatar aqui, para mim, o meu maior feito nesta modalidade até aos dias de hoje: Jwoc qualificatória e final da distância média.
     Cada vez mais apuro que o meu habitat natural é mesmo a floresta, para mim o sprint é uma prova à qual não me consigo adaptar e acho que nunca vou conseguir, mas quando estou na floresta as coisas tornam-se um pouco diferentes. Quando neste Jwoc o sprint e a longa passaram eu já havia desistido de alcançar um bom resultado, a partir dali só queria dar o meu melhor e pelo menos honrar a minha ida à Eslováquia, a minha confiança era tão baixa que já pouco confiava nas minhas capacidades e cada vez mais me afundava e sentia que fisicamente ia quebrar, no entanto tinha de acabar as provas e o que viesse é o que aceitaria. Parti na qualificatória com a perspectiva de fazer uma prova para os 20 primeiros, mesmo sabendo que só dificilmente o faria e foi assim que parti para minha prova. 1º ponto chega com segurança e levo 1 minuto do melhor parcial, nos restantes pontos até ao 5º as coisas fluem, mas já sentia o cansaço nas pernas. Porém apanhei o atleta que havia partido antes e aí sabia que tinha boa prova, fiz o resto da prova com ele a um ritmo intermédio e pensando que talvez conseguiria uma posição nos 15 primeiros, cheguei ao fim descontraído e com a sensação que havia entrado na final A, só não esperava quando a speaker anunciou o meu nome como a liderança na série C com menos 40 segundos que o 1º classificado até ao momento.
      Engraçado, havia sido o 1º português a ganhar uma qualificatória num Jwoc, um feito que foi cantado nos sites internacionais de orientação como um grande dia para mim e muitos anteviram como uma possível vitória no dia seguinte, tristes lunáticos... erraram em tudo, nunca foi o meu grande dia e a vitória ou pódio jamais estaria ao meu alcance, no Jwoc não há surpresas, a lei do mais forte impera e tudo se rege segundo ela e apesar de eu ter fugido um pouco a isso rapidamente fui amarrado de novo a essa lei. O que aquilo representou para mim foi sobretudo partir em último na final e sabia que melhorar o 51º do ano transacto seria a minha vitória. A final chegou, o nervoso miudinho proveniente da responsabilidade de partir com o dorsal 60 caiu-me um pouco em cima e foi dificil lidar com isso até à partida. Fui dar uma grande volta ao mapa de aquecimento e quando voltei tinha 1 hora e meia para me preparar, foi o que fiz, vesti-me e aos poucos começava a sentir os olhares dos melhores atletas a cair sobre mim, provavelmente questionavam-se quem era aquele intruso que se havia intrometido onde não devia, e tinham pena de mim porque o pior ainda vinha ai. De uma forma ou de outra teria de partir e fazer a minha prova, teria o Eskil Kinnenberg à minha frente e se havia algo que gostava era apanhá-lo e dar-lhe uma lição, mas calma aí...ele era somente o campeão do mundo de distância longa e 3º lugar no sprint, onde estava eu com a cabeça? "Bem que se dane", pensei eu, "o 60º já ninguém me tira" e assim fui, uma pilha de nervos estava prestes a explodir dentro de mim e estava disposto a "arranhar" e a sofrer até ao fim.
      Parti com uma velocidade incrível, 1º ponto vem perfeito, 2º também, no 3º avisto nada mais nada menos QUE A MINHA PRESA!! o impossível havia ganho forma e pensei que aquilo era o sinal que esperava, quando me preparava para me colar dei por mim a rebolar encosta abaixo e rapidamente o perdi no meio das depressões e tudo o resto. Continuei concentrado e sempre a aumentar o ritmo, não falhei nada e voltei a apanhá-lo...ele leva-me a cometer o meu 1º erro no 9º ponto (algo que ele se orgulha e fartou de se gabar a mim na festa), cerca de 25 segundos foram e agora era continuar...começo a vacilar no ponto 12 e ai soube que a minha prova havia terminado. O caminho até ao fim foi uma penosa viagem onde dei sempre o meu máximo, quando alcancei o pórtico a dizer "meta" estava felicíssimo comigo mesmo e sabia que o dia estava ganho. 42º lugar no final e ainda com um erro de 2 minutos à mistura, a conferir parciais descobri que o 16º lugar me pertencia a picar o ponto 12 (cerca de 2/3) e ai soube mais do que nunca do que reside dentro de mim. Para mim tudo isto foi a prova que eu esperava, no próximo ano eu estou lá outra vez mas ai não haverá desculpas e irei obter aquilo que for capaz, mas para isso é preciso muito trabalho e o que me vale é que estou disposto a deitar-me a ele, não é só sobre a bicicleta que honram o nosso país...serei eu a provar que é possível ir buscar um medalha na pedestre.




Orientistas,
LS

Sunday, August 12, 2012

Finlândia - A experiência.

    Vir à Finlândia é e vai ser uma experiência para recordar por muitos anos porque se até agora todas as vezes que tive a oportunidade de fazer orientação em outros países o tempo de estadia nunca era suficiente para criar uma habituação e tornar a minha navegação confortável nesses terrenos, mas aqui tivemos uma sorte dupla: o tempo de estadia que foi cerca de 3 semanas e ainda viajámos de sul a norte do país e estivemos em cerca de 20 mapas diferentes.
     A primeira semana não foi fácil por isso tive o cuidado de entrar calmamente e preocupar-me em conhecer todos os detalhes da cartografia e dos elementos próprios destes tipos de terrenos, mas acabei por me começar a soltar e quando estive Voukkatti, zona onde irá ser o próximo campeonato do mundo de orientação, já navegava com alguma fluidez apesar dos terrenos serem um pouco extremos em progressão e orientação. No fim da segunda semana seguimos para Yllas, na Lapónia e aí experimentámos mapas totalmente diferentes do sul, muito mais simplificados e simples o que juntava à nossa navegação uma incerteza constante do local onde estávamos, apesar de serem mapas pouco convidativos a treinos demasiado detalhados, ensinam a essência da navegação grosseira e da confiança pessoal. 3 zonas diferente da Filândia, no sul aprendemos a navegar em terrenos com muitas rochas, no centro aprendemos a navegar com pouca visibilidade e no norte aprendemos a navegar nos terrenos mais simplificados que já alguma vez conheci. Conseguimos fazer quilómetros e quilómetros de treinos nestes mapas e mesmo duas provas este fim de semana, senti que ás vezes não sabia fazer orientação mas outros conseguia sentir tudo o que existia no terrenos e acabei por entrar na essência destes terrenos.
     Foi uma das melhores experiências da minha vida  e espero no futuro repetir isto mais vezes, porque para um orientista crescer precisa de experimentar o extremo de todos os lados e eu consegui isso aqui e acho que isto é o caminho certo para num futuro poder ambicionar algo mais em futuros campeonatos.



Orientistas,
LS