Friday, July 25, 2014

MédiaQ e fim do Jwoc

  Hoje foi a minha última prova nesta competição, a qualificação da distância média. Honestamente depois de tudo, hoje esperava pelo menos redimir-me e qualificar-me para a final à semelhança das últimas edições que participei. Para me apurar para a final já sabia o que fazer: uma prova regular e com poucos erros. Não precisava de dar demasiado, mas também não podia errar.
  Lá sai, calmo creio, para a minha prova. Eu já sabia à priori que o mapa seria complicado mas não esperava apanhar um choque tão grande e no primeiro e 2º ponto consegui perder 3 minutos. A partir daí comecei a fazer o que sei e fiz uma prova regular e bastante boa, apanhei alguns atletas e segui para o final certo que estaria qualificado. No penúltimo ponto, fui induzido em erro por um atleta que ia comigo na altura e perdi mais 2 minutos. Resultado? 13 segundos do 20º lugar, primeiro atleta fora e diferença para o primeiro? 5 minutos, exatamente o tempo que perdi.
 
   É complicado. Não sei usar outra palavra para descrever a situação. Dia após dia a situação piora cada vez mais, mas felizmente hoje foi o fim. Amanhã farei a prova por pura diversão e domingo viajarei para a Noruega depois de ver a estafeta.
   Que dizer mais? Não estive à altura do desafio. Já desconfiava que não ia ser fácil, mas pensava poder fazer uso da experiência e adaptar-me aos terrenos com mais facilidade. Não foi assim e cometi poucos, mas erros bastante graves. Não há nada mais a retirar daqui, não foi uma experiência agradável isso é  certo. Também não há lições a tirar a não ser as que já sei.


   Eu sei que o futuro começa já amanhã, mas para já o meu é ir para a Noruega uns dias e depois finalmente voltar a casa para descansar o resto do verão. Nos próximos anos  vai ser diferente, vou passar a sénior, o que não representa oportunidade nenhuma a não ser um nível totalmente diferente.
   Retomando um pouco do post anterior, é impossível sem a preparação adequada ambicionar qualquer resultado de topo num mundial. Não há volta a dar, simplesmente não vai ser possivel.
   Talvez seja a próxima geração a fazê-lo, mas pelo menos vou cá estar para ensinar e orientar os mais novos.



Luís Silva

Thursday, July 24, 2014

Percursos - longa e sprint





Luís Silva

Jwoc - Longa e Sprint

  Sendo hoje o dia descanso tenho finalmente tempo para relatar um pouco do que tem sido estar aqui, participar no mundial de júniores, mais uma vez.
  Ai estão. 2 provas concluídas, primeiro o Sprint e depois a Longa. Chegado aqui, apesar de tudo "carregava" alguma esperança na mala. Tinha em mente um 7º lugar no sprint, 30º na longa (ambos do Mega) e ainda um 40º na média (meu). A verdade é que apesar de não me considerar particularmente um atleta de sprint, era aí que pensava obter a minha melhor classificação, visto estar rápido e bem fisicamente. No entanto as expectativas goraram-se rapidamente assim que a competição começou.
  

  Dia do sprint. Parti, confiante, saí logo com o mapa desorientado e não entrei bem. Senti-me enferrujado e não estava fluente na leitura de mapa. Na opção do ponto 4 errei e perdi 30 segundos (!). Viria a perder no total um minuto em erros e hesitações sem contar com a falta de fluência na leitura e antecipação. 50º lugar foi o que isso representou, à volta de 1'20 atrás do campeão do mundo, Tim Robertson, da Nova Zelândia. Prestação muito fraca é verdade. Mas o que representa isto? Não devia estar aqui a representar o país? Provavelmente. Significa que não valho metade do que prometia? Possivelmente. 
   A vida é mesmo assim, nem sempre as coisas saem como queremos, mas nesta questão tenho a acrescentar uma coisa. Eu conheço a maioria daqueles atletas, muitos deles são semi-profissionais que já fazem parte de equipas profissionais, passaram o ano a ambicionar o titulo e certamente trabalharam para tal. Não estou a dizer que não treinei! Porque treinei, mal ou bem, lá estive eu a sacrificar algumas horas, das que podia para conseguir treinar. Fisicamente nunca foi um problema, eu sei o que corro, mas orientação é um desporto que requer prática e técnica, não só corrida. É verdade que apesar de ter cumprido um dos requisito (físico), o outro ficou muito aquém.
   Não há milagres, eu não acabo os exames 2 semanas antes da competição, e depois esperar que esteja preparado. A última vez que toquei no mapa antes de ter chegado cá foi 1 mês e meio antes. Pessoalmente passei por uns problemas complicados antes e mesmo assim ainda tentei direccionar o meu foco para aqui. Eu não sou de ferro, posso ser um atleta com algumas qualidades e ninguém vaticinar que o Luís Silva fosse 80º num Jwoc..mas ninguém, ninguém mesmo faz a mínima ideia do nível que aqui se corre e da pressão que isto causa.

   Ontem foi a longa, honestamente reconhecendo o que escrevi acima até parti descontraído, sempre pronto a dar o meu melhor. Comecei bastante bem, o que me surpreendeu porque o mapa era tramado e a minha experiência nula aqui, fiz a pernada longa e consegui levar só 2 minutos do melhor parcial. Continuei e creio que passei no top 20 no primeiro ponto de rádio (cerca de 4,5km), o que aconteceu depois? Um erro monumental na segunda pernada longa (zona dos loops), sensivelmente 9 minutos e tudo na zona. Tentei encontrar uma opção mas esta não veio no entanto consegui criar micro-opções e navegar com relativa segurança até à zona. Ai perdi o contacto por um momento e perdi a noção onde estava e visto a zona ser tramada, relocalizar-me não foi fácil. Após ter acabado vi que até estava bem na zona, mas isso já não corrigia o erro. Apesar de tudo tentei e fiz os loops com segurança e rapidez e fui para a troca de mapa, aí espera-me a segunda parte o percurso onde perdi novamente uns 10-15 min, o que não é surpreendente pois quem olhou para o mapa percebeu a dificuldade que aquilo representava.
   Quanto à minha performance, parabéns pela parte inicial! Foi impressionante que com ZERO experiência neste terreno tenha conseguido navegar assim. Quanto ao meu erro, falta de experiência! Mais uma vez clamo: Não há milagres! Por mais talento que haja, neste nível conta o TRABALHO com um peso muito maior! 

   Que momento vive a orientação portuguesa? Evolução, eu pertenço a um leque de atletas que já vê que é POSSÍVEL obter muitos bons resultados mas que não tem MEIOS para o fazer. Lamento, isto não é culpa de ninguém a não ser do país onde vivemos.
   Eu não me posso comparar com os atletas nórdicos, suiços, franceses ect, quando estes têm à sua disposição mais recursos e mais oportunidade. Eu patrocino-me a mim mesmo, faço acrobacias com o meu curso (que será o meu futuro) e ainda chego a fazer coisas bastante graves (que são a causa de atravessar momentos tão complicados a nível pessoal) que me afectam a mim e só a mim!
   Conclusão: Sou um frustrado que chegou a acreditar que ser campeão do mundo era possivel só com uma atitude forte. Carreguei isso às costas uns anos, a este nível o fardo é tão pesado que me levou finalmente a vergar. Simplesmente terá de ser a próxima geração a fazê-lo, a evolução é assim, é um processo que começa com pequenos passos e é assim que se vai evoluindo até se chegar ao topo.

   Ainda falta a média, pode ser que com a experiência de mapa que já ganhei destes dias e um pouco de sorte ainda consiga não só chegar à final A como melhorar o 40º lugar. Mas pensar e ambicionar isso já é pedir demais, mas pronto, vou dar sempre o meu MELHOR como dei até aqui.


(Mapas com opções e análise publico mais tarde)


Luís Silva

Sunday, July 20, 2014

Bulgária -> Finally on my way

  Yeah..it's been a rough time to get here. Finally, in Borovets now, I can write about my journey.
   I kind of rested as I wanted to do it. In the first week after finish exams, I started to not feel that great and I thought that maybe things were going again on the wrong way, but then I just calmed down on training and things came up again. As I was just waiting 2 weeks I thought I could find a race to tune me up and helps me get competitive, so I spoke with coach and we headed for an 800m on 16th, which was very good idea. My time even surprised myself, I just looked for an honest effort where I could fight and well..my friend shout "55!" for the first lap (Maybe I was in the 56s), anyway I fought and I got up there in the front, I was rewarded with a 4 seconds PB, doing 1'54''05, barelly half second after the winner. That was a really big surprise, I can have speed, but that is total new thing for me, I'm orienteer!


  Well that was some good boost of selfconfidence for this Jwoc! At least I'm running enough for it..the rest, well, we'll never know :D. Today I went to model event of long distance, and it was kind of hard to run there, but I will not stress about it, there still few days. What about the rest? I can't tell that much more about Jwoc as I'm here only for a day, but for now I'm dealing with that and I hope to continue that way.


Luis Silva

Thursday, July 3, 2014

Férias..ou pelo menos quase!

  Ontem foi o meu último exame, depois de ter passado um mês inteiro a estudar finalmente acabou. Talvez não tenha corrido tudo como eu gostaria, mas para isso vou ter 2 meses para refletir bem acerca do que melhorar.
   O que vem agora? Jwoc, falta um pouco mais de 2 semanas para ir para a Bulgária, país onde se vai realizar a edição deste ano. É verdade, é o meu último ano numa competição jovem, depois disto vou ter de enfrentar o nível sénior, e ai..bem ai não há grandes segredos nem lugar para "milagres".
  Olhando para trás vem-me à memória a participação em 4 europeus de jovens, 3 mundiais de desporto escolar e 2 mundiais de juniores. Desde de 2008 onde consegui ganhar a minha primeira medalha (prata na média) numa competição internacional que ganhar uma competição internacional foi um sonho, no entanto sempre me vi longe de concretizá-lo, talvez hoje entenda o quão longe estava, mas o que é certo é que isso nunca foi impedimento. Em 2009 consegui no meu primeiro Eyoc entrar no top 20 na distância longa. No ano seguinte disse para mim mesmo que ia ganhar, claro que era um pouco irrealístico ver as coisas dessa forma, mas a verdade é que tentei e fui 6º e consegui ir ao pódio numa competição Europeia. Depois disso achei que tinha de fazer algo diferente e 2011, já no escalão de M18 correu bastante mal. Em 2012 levava novamente a esperança de uma medalha, que ficou a um mp (desclassificação) de ser conseguida..
   Nos mundiais de desporto escolar consegui uma medalha em 2011, que foi quase uma vitória até ao penúltimo ponto ter cometido um erro que me tirou essa oportunidade. Em relação aos mundiais de júniores a única coisa marcada é a vitória na qualificatória da média em 2012, o que me levou a fazer na final umas das melhores provas que tenho memória.
   A verdade é que cada ano havia sempre alguma coisa que podia ter sido diferente. Pode ter sido um caminho cravejado de desilusões mas as coisas têm de seguir o seu rumo e não há nada que se possa fazer. Eu demorei algum tempo a perceber que tinha de aceitar que a culpa, cada vez que falhava, era minha e não de qualquer outro factor exterior. Há sempre alguma coisa, da minha responsabilidade, que devia ter feito melhor, e não fiz, e acções trazem consequências, nem sempre agradáveis.



   O ano passado fiz a minha pausa na Orientação, este ano voltei com reticências que ainda mantenho! O desporto não tem de ser uma fonte de desespero ou desilusão, acho que todo o desportista, quer amador, quer profissional tem de tirar prazer daquilo que faz e a verdade é que não há outra razão senão essa que me mantenha activo na Orientação.
   Acabei por voltar num ano onde se realizou o Europeu de séniores aqui, em Portugal. Fui seleccionado para a minha competição sénior de sempre! Como eu disse acima, não acredito em milagres e o nível profissional é outra coisa, no entanto é com felicidade que ainda me recordo do 49º lugar que alcancei na prova de distância média!
   Isso deu-me vontade de olhar com esperança para o mundial de júniores que ai vem e agora que está tão próximo as dúvidas aparecem e tenho de aceitar a verdade. Por mais esperança que tenha de ganhar uma medalha é preciso ser realista e ver que ali competem 150 atletas, 40 ou 50 como eu, com possibilidades de num dia bom chegar ao topo. Isto não é entrar derrotado, é precaver à priori a desilusão.
  No entanto é o primeiro ano que chego relativamente bem fisicamente a esta altura. Acho que consegui finalmente encontrar o equilíbrio e descobrir a solução que funciona para mim! Ou seja, garra não me vai faltar, no dia vamos ver, pelo menos estou virado para o sacrifício.


Há quatro anos foi assim..
 
  Ps: Escrever em Português novamente é estranho! No entanto finalmente entendi que não valia a pena andar a escrever numa língua que não era a minha!

Luís Silva