Monday, November 3, 2014

Novembro

  O semestre vai a meio. Guiar este barco não tem sido tarefa fácil, requer atravessar tempestades (e não são poucas!), e navegar por mares de alguma incerteza. Até ao momento a minha vida desportiva tem acompanhado, tem sido um ano de treino relativamente regular (pelo menos em relação ao ano passado) e os efeitos têm-se manifestado: A juntar à qualidade que já tinha nos treinos, o volume veio como um complemento que cedo me trouxe benefícios. Passos foram dados e novos horizontes estão em vista! Claro que manter isto a par do estudo revela-se um desafio extremo, a única forma que encontrei foi restringir a minha vida e viver como um monge, sem vícios (QB..) e disciplinado. Às vezes pergunto-me, até que ponto conseguirei levar isto? Bem, a questão é que viver nesta obscuridade não me desalenta, ensina-me porém a viver de um modo mais calmo e mais centrado, sem ter a necessidade de mudanças bruscas ou andar por aí à deriva em ideias diletantes.

  Mas deixando-me de filosofias e falando de factos..referia eu acima que "passos foram dados". Bem a verdade é que um treino regular trás os seus efeitos, quer bons quer maus, e recentemente tenho lidado com um joelho que não me deixa de incomodar! O que me limita nos treinos mais longos, dos quais também nunca fui muito fã. No entanto por outro lado, nas provas já se vê alguns resultados (embora seja preciso alguma ginástica mental e optimismo para se ver!), na minha primeira prova da época, desloquei-me à famosa prova na Cruz da Picada, em Évora, para testar. Calhou a ser uma prova que, face a um chorudo prémio monetário, atraiu muitas abelhas..daí que já sabia garantidamente que iria penar!
  O objetivo, em última instância seria um lugar no top10, pois isso seria seguro. Mas no dia o dilema apresentou-se: Jogaria com cautela e maximizaria a minha posição ou arriscaria a ir para a frente da prova e veria até onde dava? Bem..isto daria para muita discussão entre os "entendidos" do atletismo, mas mais uma vez me decidi por satisfazer o meu espírito temerário e arriscar. Eu sempre soube ao que ia, não havia hipótese, mas não deixava de ser menos aliciante!
  Mal começou a prova lancei-me para o pelotão da frente decidido a ficar ai o mais que pudesse. A prova tinha uma extensão de 8,3km, daí que tinha mesmo de estar num bom dia para aguentar. Fui andando, e ficámos 6 atletas no grupo da frente, onde eu, claramente, era o elo (muito) mais fraco. Não me amedrontei, nem me entusiasmei, segui disciplinado aguentando o característico fartleck que os atletas de estrada gostam. Os primeiros 4 km foram canja, entre o 5º e o 6º comecei a vergar um pouco, a partir daí reduzi e só me restou penar até ao fim. Não há grande segredo na corrida, ou se aguenta ou se fica e no meu caso resta continuar a treinar.
 
  Poderia ter sido um grande drama, acabei por arrastar-me um bocado e acabei com média de 3'15 (ao 6º km ainda levava média de 3'08), no entanto o dia foi ganho pela a atitude com que sai de la: O treino entrou e a evolução aconteceu, mas há mais pela frente e ao longo desta época espero que vá saindo mais e mais.
  As próximas provas que virão será mais uma de estrada e por fim o crosse de Matos velhos, onde este ano já me estreio como sénior. Levo escondida alguma esperança para esse crosse, mas creio que o objectivo ainda terá de ficar por obter uma boa classificação e não ficar muito longe da frente, nos próximos anos conversaremos melhor, estou certo!