Monday, June 1, 2015

01/06/2015

Exactamente metade do ano já passou. Incrível, mas sem grandes surpresas. É com preocupação que ainda vejo e sinto a ansiedade do amanhã, o next step está aí para ser dado e só a mim compete saber dá-lo. Gostava de saber responder ao "que farei da minha vida", creio que o futuro jaz escrito, irreversível, mas ainda assim acho que tenho o poder de mudá-lo. Esperança vã creio. Há dias que me pergunto acerca da utilidade de viver, caminho certo que respirar faz sentido e preocupo-me com o que é pequeno e insignificante. Desespero com o ridículo e analiso o que não tem importância. No fim de contas nada tem mais importância do que aquela que atribuímos, e o que hoje é uma certeza, impossibilidade, dificuldade, amanhã desaparece, torna-se possível ou acessível. Nunca ninguém se dará conta e quem se der, rapidamente esquecerá. É assim que funciona, as memórias só existem enquanto existir alguém que as recorde, depois disso é informação perdida, e que tem como único resultado aumentar um pouco mais a entropia do universo.

Texto sem sentido é o que escrevo, combinações de palavras que não trazem significado para ninguém a não ser para mim. E de fato faz todo o sentido. Olho para mim há 3 anos atrás e vejo que não passo de uma sombra do que fui. Não me imagino mais naquele dia fatídico em que me escapou a oportunidade de ser medalhado no Europeu. Já lá vão as aventuras no mundial de juniores e naquela distância média. Foram situações limite, de um limite que é impossível descrever. Jamais voltarei a chegar a esse ponto, isso são tempo do meu eu destemido e livre. Mas para que serve isto tudo? Fui alguém? Se fui não me lembro, porque hoje não sinto isso. Sinto um vazio, um vazio de alguém que aceitou e se renegou a que uma parte de si tinha que ir. Enraivece e frustra, mas assim o tinha de ser. Enfim, talvez um dia tenha tido motivo de me orgulhar, tenha tido motivo de sorrir com plena confiança de mim. Hoje talvez não tenha mais, mas o que importa isso? O que importou? Nada, nunca fez diferença.























Uma vida..

Friday, May 8, 2015

Tempore omnia vulnera sanabuntur

          O tempo não volta atrás. E uma verdade que me custa admitir a vários níveis. Deparo me com a irreversibilidade do tempo seja em problemas da fisica, seja da filosofia. É uma linha rígida que nós -humanos- jamais iremos controlar mas iremos sempre ambicionar. Eu não fujo a essa regra. Sou um indivíduo feliz com as escolhas que fiz, o caminho que segui, a vida que tenho e terei (se for possivel). No entanto, na obscuridade do meu pensamento vivem as pequenas questões e mágoas daquilo que não fui capaz de controlar e mudar. Essas memórias não desvanescem nunca e embora camufladas regressam sempre naqueles dias mais inesperados. Não há forma de os evitar, há forma de os engolir e num momento mais íntimo verter umas lágrimas mas a seguir é seguir e não olhar para trás. É uma tolisse pretender que alguma coisa possa ser diferente daquilo que foi. É egoísmo descarado sentir tristeza mas também é inevitável.

         Jamais esquecerei que durante 8 anos fui realmente bom num desporto que ainda hoje teimo em não separar me. Ao longo desses 8 anos existiram momentos de felicidade extrema, momentos de intensidade tão grande que sentia a realidade ao pormenor. Há quem nasça para certas coisas e seja inato o seu conhecimento. Orientação sempre foi algo inato para mim, possuo uma visão muito própria que jamais poderei transmitir ou ensinar. No fundo do meu pensamento vivem as falhas que cometi e que nunca poderei fazer nada para mudar isso. Nunca outro ser humano terá a capacidade de entender ou compreender o que eu sinto em relação a isso. Tudo isso somado provocou a derrocada desse mundo e aversão a esse instinto natural. No fim restam as lembranças.

Monday, April 13, 2015

Entropia - Uma medida da desordem

    Meses fluem como dias. Inexoravelmente. Se tivesse de falar sobre tudo o que tem "fluido" nestes meses nunca mais acabaria. Bem mas começando, onde estou? Abril de 2015. Olhando friamente, é dizer que estou no fim do 3º ano, é dizer que a irreversibilidade do tempo é uma realidade para mim. Há dias em que olho por cima do ombro e só vejo memórias distantes, que jamais poderiam voltar a ser realidade e isso faz-me sentir nostálgico, triste até.
    Orientação é uma palavra estranhissima no meu vocabulário e nos dias que correm mantenho a minha corrida porque foi algo que, creio, tenha nascido para me acompanhar até ao fim dos meus dias. Mas pronto, sem problemas.

    O que tenho corrido? Janeiro foi vergonhoso, pouco ou nada corri. Fevereiro voltei a pouco e pouco à minha rotina. Março voltei a sentir um pouco as memórias do treino constante e duro, agora continuo na linha constante. Algo que tenho é a facilidade em atingir picos de forma e quanto mais velho mais fácil se torna. Estes 2 meses e pouco foi quanto bastou para atingir um nivel que é superior a qualquer ano anterior, quando o volume de treino não aumentou. Um dia, confesso, teria curiosidade em treinar a um nivel bastante alto para ver onde estão os meus limites. Já há muito tempo que perdi a visão da minha evolução, fui-me reduzindo ao mais natural para não cair nessa teia novamente, mas hoje em dia sinto curiosidade, curiosidade em ver onde chegaria.
   Fiz uma única prova, 15km, onde estaria totalmente fora da minha zona de conforto. Nem por isso deixou de ser uma experiência reveladora e o tempo, se é que tem importância, correspondeu ao que tinha em mente, o que já foi bastante bom!

  Enfim, esta é a realidade d'hoje e talvez seja a de amanhã. Mas daqui a uns dias não passarão de mais memórias que guardarei do passado distante. A entropia nunca diminui, a desordem cresce e o fluxo de tempo é consequência disso.

Saturday, February 21, 2015

Devaneio

  A aitividade neste blogue escasseia ao ritmo da minha atividade desportiva. Não é intencional. Simplesmente as coisas mudam, tal como as pessoas. Umas coisas perdem valor, outra saltam para a luz do dia, o que algum dia foi, hoje já não é.
   Não tem de ser repentino ou drástico. O tempo é paciente, mas atua irreversivelmente, e no fim as palavras escasseiam e o silêncio é tudo o que resta. Não é triste, simplesmente necessário, não tem qualquer importância nem significados ocultos, é simples.
   Quando deixa de ser artificial, a naturalidade volta e com isso, a paz. Já não é uma obrigação, é um reconforto, um devaneio do dia a dia, que de algum modo amaina a obrigação e o enjaulamento da consciência, é assim, libertador.
   Não creio que seja perceptível a todas as pessoas. Nem creio que carregue qualquer significado. É pena. Quando olho à minha volta penso e chego a ter pena da inaptidão. Admiro as cabeças duras e teimosas, a dedicação irracional do ser humano, no entanto não tem de ser tão difícil. Isto é a maior falha do ser humano, a racionalidade tapa nos o instinto, que por vezes é tudo o que se precisa para se viver mais livre.

Luís Silva